Vagalume ou Lampyris noctiluca


O vagalume acende sua "lanterna biológica" para chamar a atenção de sua parceira.

Larvas de vagalumes acesas num cupinzeiro.

Vagalume ou Lampyris noctiluca

O vagalume ou Lampyris noctiluca acende sua “lanterna biológica” para chamar a atenção de sua parceira, a intensidade, a velocidade e a frequência dos flashes variam de acordo com a espécie. A emissão de luz para os vagalumes faz parte do comportamento sexual. As cores de suas lanternas oscilam do verde amarelado ao laranja, passando pelo vermelho, cor emitida por um único grupo de coleópteros que só se pode encontrar no Brasil. A intensidade do brilho, a cor emitida e duração da emissão fazem parte de um código de comunicação que permite na escuridão da noite os vagalumes de uma mesma espécie se encontrar para a reprodução.

Os vagalumes são insetos carnívoros, predadores de outros insetos.

Os vagalumes são insetos carnívoros, predadores de outros insetos.

Os vagalume ou lampyris noctiluca são insetos carnívoros, predadores de outros insetos, às vezes canibais como em algumas espécies as fêmeas atraem machos não para se reproduzir, mas para comer, portanto a emissão de luz pode auxiliar na captura do alimento.

Esse fenômeno de emissão de luz é denominado "bioluminescência".

Esse fenômeno de emissão de luz é denominado “bioluminescência”.

Bioluminescência

Esse fenômeno de emissão de luz é denominada “bioluminescência” e diversos organismos possuem essa capacidade de emitir luz. Na definição geral, temos que é “o processo em que luz é produzida por uma reação química que origina no organismo”. A bioluminescência é encontrada principalmente no fundo do oceano, mas vagalumes também possuem esta habilidade. Ambos os sexos de vagalumes fazem uso de um padrão de flash. Alguns animais utilizam bioluminescência para confundir ou assustar predadores além de controlar a cor, muitas lulas, polvos e sépias podem também produzir luz e controlar sua intensidade.

Mas como o vagalume gera a luz?
Pesquisadores nos Estados Unidos descobriram em um trabalho de dois anos que a mesma substância responsável pelo controle da pressão sanguínea que leva à ereção do pênis, o óxido nítrico (NO) é a ligação entre o impulso elétrico emitido pelos neurônios do vagalume e o disparo do flash. A reação química que faz a emissão de luz é interessantíssima. Além do fato de ser algo que chame nossa atenção, é também interessante que 90 a 96% da energia produzida é convertida em luz, e somente de 4 a 10% é convertida em calor, o inverso de uma lâmpada comum!

As luciferases são proteínas compostas por centenas de aminoácidos.

As luciferases são proteínas compostas por centenas de aminoácidos.

Uma molécula de luciferina é oxidada por oxigênio, em presença de trifosfato de adenosina, ocorrendo assim a formação de uma molécula de oxiluciferina, que é uma molécula energizada. Quando esta molécula perde sua energia, passa a emitir luz. Esse processo só ocorre na presença da luciferase, que é a enzima responsável pelo processo de oxidação. As luciferases são proteínas compostas por centenas de aminoácidos e é a sequência destes aminoácidos que determina a cor da luz emitida por cada espécie de vagalume. Este processo é chamado de “oxidação biológica” e permite que a energia química seja convertida em energia luminosa sem a produção de calor.

Vagalume macho femea

Vagalume macho femea

Os vagalumes machos ao voar emitem luz, muitas vezes de forma contínua outras vezes acendem e apagam para facilitar sua visualização, as fêmeas de algumas espécies não voam mas emitem luz para serem localizadas pelos machos, sincronizando seus sinais.  Larvas podem utilizar a luminescência para iluminar o caminho em caminhadas noturnas. Em algumas espécies, uma reunião de larvas de vagalumes podem se agrupar na presença de um predador, um sapo, por exemplo e emitirem um forte feixe luminoso, uma espécie de farol de advertência, compreendido pelo predador como um animal muito grande e talvez perigoso, evitando que a maioria destas larvas sejam mortas .

Larva

Larva do vagalume

Características
O vagalume ou lampyris noctiluca é conhecido também por pirilampo, o vagalume macho mede em torno de 10 mm de comprimento e a fêmea, entre 12 a 20mm. O macho tem duas asas e élitros. Com seu corpo frágil, cor de terra, a fêmea do vagalume não voa. Para compensar a falta de asas, desenvolveu-se algo muito especial durante a evolução do vagalume, pequenas glândulas que segregam luciferina, uma substância que em determinadas condições se torna luminescente. A luz verde é o sinal para que o macho interrompa seu balé aéreo e venha juntar-se à fêmea. Essa diferenciação tão marcada entre os sexos é rara entre os coleópteros. A espécie Lampyris noctiluca é a mais comum no Brasil sua larva luminescente é muito parecida com a fêmea adulta.

Conhecido também por pirilampo, o macho mede em torno de 10 mm de comprimento e a fêmea, entre 12 a 20mm.

Conhecido também por pirilampo, o macho mede em torno de 10 mm de comprimento e a fêmea, entre 12 a 20mm.

Habitat - áreas rurais e urbanas, jardins e matas.
Ocorrência - em todo o Brasil
Hábitos - Os lampejos equivalem ao início do namoro, são os códigos para atrair o parceiro. Mas a luminescência também pode ser usada como instrumento de defesa ou para atrair a caça.
Alimentação - lesmas e caracóis, mas é capaz de comer até criaturas muito maiores injetando-lhe antes um líquido paralisante.
Reprodução - o estágio larval dura seis meses, a maior parte passada debaixo da terra. Ao emitir luz, a fêmea do vagalume corre um risco, pois atrai seus predadores.
Predadores naturais - caranguejos, aves e rãs.
Ameaças - destruição do habitat, poluição e agrotóxicos.

Visão microscópica do vagalume

As lâminas do microscópio nos trazem belas imagens e ressaltam a importância desta ferramenta para o microbiologista no estudo da espécie ajudando a entender melhor como funciona e suas principais características em imagens detalhadamente.

bacterias luminescentes

bacterias luminescentes

vagalume no microscopio

vagalume no microscopio

 

 Os outros nomes do vagalume pelo Brasil 

Vagalume, pirilampo, caga-lume, caga-fogo, cudelume, luzecu, luze-luze, lampíride, lampírio, lampiro, lumeeira, lumeeiro, mosca-de-fogo, noctiluz, pirí-fora, salta-martim, uauá.

facebook mcientifica

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  1. #1 by Nurimar Tavares Reis on 4 de junho de 2012 - 19:32

    Apareceu em minha casa um pirilampo cuja luz ,não era intermitente e saia pelos olhos, com uma grande intensidade. Mesmo dentro do pano com qual o peguei ,para jogar no mato , a luz era visível,Gostaria de saber se ele já é conhecido.Agradeço por uma resposta.
    Obrigado, nurimar

  2. #2 by enio paulo zoche on 17 de dezembro de 2012 - 19:23

    Muito interessante o aproveitamento da energia do vagalume deveriamos seguir este mecanismo e ter o mesmo aproveitamento em nossos usos energéticos.

    • #3 by mcientifica on 12 de agosto de 2013 - 11:44

      Olá Enio, existem vários estudos sobre o assunto em andamento no mundo. Os mais evoluídos estão na Inglaterra e logo teremos novidades.

  3. #4 by Ivo Rosa on 22 de outubro de 2014 - 14:14

    Essa larva que apresenta como larva de vaga-lume está incorreta.

    Essa é uma larva de Scarabaeidae não é de Lampyridae!

    Cumprimentos, Ivo Rosa

(não será publicado)


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